O Hospital Estadual de Urgências da Região Sudoeste (HURSO) vem desempenhando um papel de suma importância na captação de órgãos. No ano de 2019 já foram realizadas três cirurgias dessa natureza, beneficiando dezenas de pessoas que aguardavam um órgão na fila de doação. A última captação ocorreu na quinta-feira, 24 de outubro.

Durante todo o mês de setembro, foi realizada no Hospital uma campanha para conscientizar e informar sobre doação de órgãos. A família do paciente J.S.N*, que teve a morte encefálica confirmada na última terça-feira, decidiu pela doação. “Para manter meu irmão vivo, decidimos doar os órgãos dele. Ele vai estar vivo em outras vidas e esse foi o motivo que nos levou a fazer essa doação”, explicou W.*, irmão de J.S.N.

Foram doados os dois rins, fígado e córneas que tiveram como destino Goiânia e Brasília. “Se as pessoas agissem com um pouco mais de compaixão pela dor do próximo, o mundo seria bem melhor. Fico feliz em saber que pessoas terão um tempo e uma qualidade de vida melhor por causa de um simples ato”, comentou H*, cunhada de J.S.N.

*Omitimos os nomes em respeito à família.

Sobre a doação de órgãos

Existem várias dúvidas sobre doação de órgãos e para esclarecer algumas delas conversamos com Ana Paula Alves, enfermeira da Central Estadual de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos de Goiás (CNCDO-GO). “Pode ser um doador de órgãos aquela pessoa que apresentou morte encefálica, geralmente de Trauma Crânio Encefálico (TCE) ou Acidente Vascular Cerebral (AVC)”, explicou Ana Paula.

Quando é confirmada a morte encefálica, a Central de Transplantes ou a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) entra em contato com a família e presta o esclarecimento sobre o processo de doação de órgãos.

Os principais órgãos e tecidos captados e doados em Goiás são: pulmão, coração, rins, fígado, pâncreas e córneas. “Existem outros estados que fazem a doação de ossos também, mas aqui em Goiás ainda não é possível”, esclareceu Ana Paula. Pela legislação brasileira, somente um familiar de primeiro grau pode autorizar a doação. “Não existe mais deixar em algum documento escrito, como na carteira de identidade ou registro em cartório. Se você é um doador, converse com sua família, somente eles poderão tomar essa decisão”, finalizou a enfermeira.

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